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Em Comunhão com a Natureza

Em Comunhão Com a Natureza

Para que possamos deixar um mundo melhor para as próximas gerações, precisamos buscar a comunhão com o mundo natural, abordando-o com a sabedoria que vem da alma.

Pelos milhares de anos de evolução de nossa espécie, vivemos próximos da natureza e em consonância com seus ritmos. Conhecíamos no nosso sangue o movimento da Lua e das estrelas, o nascer e pôr-do-sol, a mudança das estações. Dormíamos quando ficava escuro, levantávamos com o Sol, comíamos diretamente da terra, bebíamos dos rios e ordenávamos nossa vida de acordo com as estações do ano. Éramos nômades, vivíamos em tribos, e em nossas viagens comíamos bagas, nozes, frutas e raízes.Éramos caçadores, silvícolas e, posteriormente,pastores e fazendeiros. Mas vivíamos em contato direto com a terra e sob o abrigo sagrado dos céus.

Nos tempos antigos, os humanos não somente viviam próximos da natureza, mas realmente a adoravam como sendo a origem de todas as coisas. Nas primeiras sociedades agrárias, a natureza era vista como a Grande Mãe, cujo útero fecundo produzia os grãos, vegetais e frutos que sustentavam a vida humana.Tempestades, terremotos e vulcões eram sinais de sua ira oufúria. Alguns rios, montanhas, formações naturais e bosques de árvores eram vistos como sagrados, e os povos antigos iam a esses lugares para estar em intimidade com a terra e absorver suas energias divinas.

Alienação da Natureza

Mas, com o advento da era moderna, começamos a perder nossa conexão com a natureza. Quando a Revolução Industrial ganhou impulso, as pessoas deixaram as fazendas e zonas rurais para trabalhar nas fábricas. Nas cidades, algumas dessas pessoas lembravam de suas raízes,da infância passada vagando pelos campos, caminhando pelas florestas e nadando nos córregos e rios. Nas férias, levavam seus filhos à fazenda dos avós ou a outros lugares na natureza,para mostrar às crianças as maravilhas de suas próprias experiências infantis. Mas, com o passar das gerações, a maioria foi gradualmente perdendo o contato com seu passado rural, tornando-se cada vez mais alienada da natureza. Não conseguiam mais chamar as constelações pelo nome ou descrever as fases da Lua.Não podiam mais refestelar-se aos sons da noite,e ficariam surpresos se uma coruja piasse junto à janela de seu quarto. O sono passou a ser condicionado pelos ruídos do trânsito, pelas buzinas e sirenes, não mais pelo relativo silêncio e pelos sons suaves do campo.

De acordo com alguns estudiosos, nossa alienação em relação à natureza começou quando as religiões patriarcais, com seus deuses masculinos e belicosos, substituíram o culto às deusas, que viam a terra como a Grande Mãe. Em The Chalice and the Blade, Riane Eisler diz que os invasores patriarcais devastaram as pacíficas comunidades agrárias e estabeleceram seus próprios deuses masculinos. Eisler identifica Javé, o deus dos hebreus, como sendo um deles, e traços das atitudes patriarcais do judaísmo e do cristianismo dos primeiros tempos. Especialistas em religiões antigas, como Marija Gimbutas e Joseph Campbell, partilham da visão básica de Eisler, segundo a qual o culto às deusas acabou por dar lugar às religiões patriarcais. Os antigos hebreus, ao que tudo indica, foram especialmente direcionados para a eliminação da deusa e de todos os sinais de adoração da natureza.Javé era um deus ciumento e colérico, que insistia em ser o único deus verdadeiro e sancionava a destruição dos que discordassem dele. Javé não tinha esposa nem contrapartida feminina. Entre seus seguidores parece ter havido pouco respeito pelas mulheres ou pelo princípio feminino.

Essa perspectiva patriarcal causou grande impacto no modo como era vista a natureza. Enquanto as comunidades agrárias adoravam a natureza como sendo a personificação da deusa, os nômades patriarcais viam a natureza de um modo mais seculare funcional. Eles eram pastores de animais, e seu estilo de vida nômade levou-os a entrar em conflito com os outros. Desse modo, aderiram à luta e ao desenvolvimento de armas de guerra. Ao contrário da deusa, Javé não era considerado como imanente à criação; ele era sobrenatural literalmente,sobre a natureza. Javé criou o mundo, que a ele pertencia,e por isso tinha o direito de fazer dele o que bem entendesse até mesmo dá-lo a seu povo. Este, por sua vez,tinha o direito de posse e usufruto da terra. Assim, sob a religião de Javé, a natureza foi objetificada e deixou de ser vista como o corpo sagrado da deusa.


Este texto é um excerto da parte II do livro Além da Religião, de David N. Elkins, lançado no Brasil pela Editora Pensamento. Tradução: Saulo Krieger.